A liderança da Honda Shadow 750 no mercado de custom de alta cilindrada — foram emplacadas 2.508 unidades em 2008 — tem agora uma ameaça de peso: a novíssima Yamaha XVS 950 Midnight Star, lançada em maio no Brasil. Além da aura de novidade mundial, a Midnight Star tem no design mais atraente e no motor maior e mais potente os grandes atributos para entrar nessa disputa. Porém, cobra no preço: a nova custom da Yamaha parte dos R$ 34.600 (R$ 34.900 na cor vermelha), enquanto a veterana da Honda sai por R$ 29.980.
Para descobrir se vale a pena pagar 15% a mais pela nova Yamaha, rodamos com essas duas motos custom em seu habitat natural: a estrada. Para fazermos uma análise fria escolhemos como destino a cidade de Campos do Jordão, com seu clima frio, no interior de São Paulo. O caminho também era ideal para os modelos custom, afinal percorremos 240 km pelo bom asfalto das rodovias Ayrton Senna/Carvalho Pinto e outros 80 km pelas estradas sinuosas que levam ao famoso destino paulista das férias de inverno.
DESIGN E PRATICIDADE
As diferenças começam no design de cada modelo. A Honda Shadow aposta em um desenho clássico, com grandes para-lamas, lanterna “capelinha” e rodas raiadas. Tão clássico que deixa a custom de 750cc com ar de moto antiga. Já a Yamaha buscou inspiração nos carros da década de 30, conferindo à Midnight um ar mais esportivo denunciado pelas rodas de liga-leve, o farol pintado na cor da moto e a saída de escape única. Aí, pesa também a idade de cada projeto: a Yamaha lançou a XVS 950 mundialmente nos salões de moto de 2008; a Shadow é bem mais antiga e, no ano passado, ganhou poucas mudanças estéticas e a injeção eletrônica para atender à nova lei brasileira de emissão de poluentes.
Depois de analisarmos o design dos modelos, era hora de arrumar nossa pequena bagagem e pegar a estrada. Neste início, ponto para a Shadow que traz pequenas cavidades no friso traseiro para facilitar a amarração da mala. Na Midnight, há apenas dois ganchos na pedaleira da garupa.
Analisando o painel, porém, vantagem para a Yamaha. Em ambas, a peça está sobre o tanque, mas na Midnight há velocímetro e luzes espias integradas, além de uma pequena tela de LCD, com regulagem de brilho, que traz um hodômetro total, dois parciais, fuel trip e relógio. Um detalhe importante é que as funções podem ser acionadas por meio do interruptor no punho esquerdo, evitando que se tire a mão do guidão. Já a custom da Honda só traz hodômetros digitais e as luzes espias ficam sob a mesa do guidão — debaixo do sol na estrada, era difícil saber se estavam acesas ou apagadas.
Um ponto negativo para as duas motos custom: nenhuma tem marcador de combustível. A Shadow tem uma luz de reserva e a Midnight, um fuel trip que conta os quilômetros rodados na reserva.
Se compararmos os punhos, a Midnight continua à frente: além de mais bem acabados, são completos. A Shadow não tem nem lampejador de farol.
AUTONOMIA E CONFORTO
Tratando-se de duas motos custom — ou estradeiras, como alguns preferem –, conforto e autonomia são quesitos fundamentais no comparativo entre Yamaha Midnight Star e Honda Shadow.
No quesito autonomia, o modelo Honda sai atrás. Seu tanque tem capacidade para apenas 14 litros — menos que na Honda CG 150, onde cabem 16 litros. Já o tanque da custom Yamaha comporta 17 litros. Na teoria, pode-se ir mais longe com a Midnight Star.
Durante a viagem o consumo de ambas foi bastante similar, com leve vantagem para a Shadow. A primeira média obtida foi de 20,75 km/litro com a Honda e 19,76 km/l no modelo Yamaha. Na segunda parte, rodando a 110 km/h constantes, apesar de maior, o motor da Midnight rodou 25 km/litro e o da Shadow, 23,3 km/l. Na última medição, rodando em condições normais e levando-se em conta a subida da serra até Campos, a Shadow foi novamente mais econômica com média de 21,5 km/l. No mesmo trecho, a Midnight rodou 20,5 km/l.
Fazendo uma média dos consumos, a Shadow roda 21,85 km com um litro de gasolina. Com seu tanque de 14 litros, pode-se percorrer 305 km sem abastecer. Apesar de consumir um pouco mais (fez 21,75 km/l), a Yamaha pode rodar mais com seus 17 litros de capacidade: 369 km sem parar no posto.
Já no quesito conforto, a comparação é mais subjetiva que os números de consumo. Os dois modelos têm bancos largos, pedaleiras avançadas e uma posição de pilotagem relaxada, bem ao estilo custom. Na Shadow, porém, o piloto fica “mais sentado”, com as pernas bem flexionadas. Apesar de mais leve, com 247 kg a seco, tem-se a impressão que a Honda é mais pesada nas mudanças de direção. Uma das razões para isso pode estar no guidão mais aberto e curvado para baixo. A Midnight pesa 261 kg, mas oferece uma excelente posição de pilotagem na estrada e demonstra facilidade nas mudanças de direção.
DESEMPENHO E CICLÍSTICA
Os dois motores compartilham a mesma arquitetura: dois cilindros em V, mas inclinados a 60° na custom Yamaha e a 52° na Honda. Têm comandos simples no cabeçote (OHC), mas quatro válvulas na Yamaha e apenas três na Honda. A vantagem aqui vai para a Honda que tem refrigeração líquida, enquanto a Yamaha usa o sistema a ar. Alimentados por injeção eletrônica, têm capacidade cúbicas bem distintas: 952 cm³ na Midnight e 745 cm³ na Shadow.
Os 200 cm³ a mais de capacidade resultam em quase dez cavalos a mais na potência máxima da nova Yamaha, que produz 53,6 cv a 6.500 rpm, contra 45,5 cv a 5500 rpm na veterana Honda. Mas é o torque máximo de 7,83 kgfm já nas 3.000 rotações que fazem o piloto sentir mais força na nova Midnight. A Shadow 750, além de ter menos torque, segura seus 6,5 kgfm até os 3.500 giros.
Comparando as duas na estrada, a Midnight tem melhor retomada e aceleração. Outro ponto positivo da custom Yamaha é a ciclística mais estável.
Além da distância entre-eixos maior — 1.685 mm contra 1.639 mm –, a Midnight Star tem suspensões mais firmes — garfo telescópico na dianteira e balança monoamortecida atrás. Nas curvas, passa mais segurança que o bichoque na traseira da Shadow que parece dançar nas curvas mais fortes.
Ainda pesa a favor da Midnght Star o melhor desempenho dos freios, pois tem discos na dianteira e na traseira que funcionam muito bem. Como nas motos custom há muito peso atrás, o freio a tambor na roda traseira da Shadow não para a moto com tanta eficiência.
CONCLUSÃO
Depois de rodar mais de 300 km com a Honda Shadow 750, líder de vendas no segmento custom, e a nova Yamaha XVS 950 Midnight Star e enfrentar as baixas temperaturas que fazem o charme da estância climática de Campos do Jordão nesta época do ano, fica fácil analisar friamente os dois modelos. Pode-se concluir que os 15% a mais cobrados pela nova Yamaha se justificam.
- Honda Shadow (azul), de linhas clássicas, enfrenta Yamaha Midnight Star, de visual moderno
Fonte:
UOL Motos
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19 Comments to “Teste da Yamaha Midnight Star e Honda Shadow na estrada para ver quem leva a melhor”
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jose donizetty lima says:
Clóvis Eichler says:
Abraços aos custeiros
Felipe Manaus says:
MILAGRUM EST………
Aleksander de Manaus says:
a único contra é a ausência de um radiador
Felipe Manaus says:
E quanto aos OLHOS….
Essa saiu na frente da HONDA !!!
stemamo says:
Paulo Mordente de Oliveira says:
marcos silva ferreira says:
Jorge Borba says:
Abraços .
Tobias says:
Abraços.
Honório, Ituaçu. says:
Waldecy Marques Filho says:
wesley miranda says:
abracao
gostei da materia… parabens!
jailton gomes says:
Luiz says:
Vieira says:
Ronaldo Santana says:
Olá pessoal, eu também tenho uma Midnight, moto muito bonita, mas comprar uma moto que a montadora não zela pela segurança do cliente, não aconselho.
Minha Mid está com 9mil km, que completou no dia 12/02/2011, quando estava voltando de um passei para Americana – SP e durante a volta na rodovia Bandeirantes fui usar o freio e a moto derrapou, e como eu não tinha freado muito eu enconstei a moto para verificar o que aconteceu e o óleo do amortecedor estava vazando. Continuei a viagem, mas bem na manha, porque o amortecedor não estava mais funcionando e o tranco era forte. Entrei em contato com a Yamaha para verificar o problema com o amortecedor e foi solicitado pela empresa levar a alguma concessionário de minha confiança. Levei na Yamaha Andreense em Mauá e lá foi feito o diagnóstico que eles não poderiam trocar o amortecedor, porque a moto está fora da garantia. Poxa, mas esse diagnóstico eu já tinha antes de ligar pra eles.
Agora deixo aqui registrado que não é possível que a vida util de um amortecedor seja de 9 mil km.
Minha Midnight ano 2009 com 9 mil km, somente é utilizada na estrada, como moro do lado do rodoanel é dificil utilizar dentro da cidade, na cidade eu utilizo a minha fazer, mesmo porque a Mid não é uma moto para vc ficar andando na cidade.
A concessionário informou que eles fazem um desconto no amortecedor que está no valor de R$1450,00 e com desconto 1160,00.
Então eu só tenho uma coisa para divulgar pra quem pretende comprar uma moto da Yamaha, pense bem, é uma moto de R$35.000,00 e a Yamaha não está nem ai com a sua segurança dos proprietários.
Se eu tivesse caído com a moto, visto que a moto pulava muito por causa do amortecedor, minha familia nem iria saber o motivo da queda.
Como vocês podem ver não sou o único reclamando desse problema:
http://www.motoscustom.com.br/forum/viewtopic.php?p=124227
http://www.moto.com.br/testes/conteudo/xvs_midnight_star_viajando_e_avaliando-27174.html
Exitem outros sites, mas estou postando alguns exemplos.
Isso porque o amortecedor é um item de segurança, hein…. pensem nisso!!
Tenho outra Yamaha (Fazer Limited Edition 2010) mas desculpe, estou pensando seriamente em vende-lás, porque ficar com uma moto que a fabricante não zelá pela segurança de seus clientes não dá.
Agora você acha que eu vou comprar um amortecedor novo no valor de 1450 reais para colocar nela? prefiro comprar um recondicionado e saber que pode dar problema e andar mais atento, do que comprar um da concessionário e achar que estou segura e acontecer isso.
Fica aqui meu registro, a moto é bonita é show, mas pena que eles utilizam peça de péssima qualidade em uma moto tão cara.
Abraços à todos.
Ronaldo
rickruiser says:
CARLOS JOSE says: